quarta-feira, 23 de abril de 2008

Things we miss, people we waste

Perco demasiado tempo. A pensar no que quero, naquilo de que gosto, em tudo o que sou, fui, quero, tive, vivo...nas possibilidades...nas minhas realidades...

Às vezes sinto muitas saudades do que havia. Na verdade, poucas vezes reconhecemos na devida altura quão bom é um momento, a beleza de um sorriso, um cheiro peculiar, uma sensação intensa. Raramente nos apercebemos verdadeiramente de que um dia sentiremos nostalgia de um momento particular, de uma frase ouvida, da eternização ou prolongar daquele breve instante. Pelo menos é o que me dizem.

Eu, felizmente?, pertenço ao grupo das pessoas auto-imunes. Dos que sentem no exacto momento que estão cheios de sorte, que recordarão durante muito tempo aquele gesto, dos idiotas que dão a devida importância na devida altura. Faço parte das pessoas que apreciam os momentos, de forma muito introspectiva e semi-secreta, e mais tarde os recordam através da lembrança da sensação vivida. E revivo tudo. Como se existisse em mais dimensões que aquelas que conheço. Como se os meus sentimentos e pensamentos soubessem guiar-me para me obrigar a sentir tudo o que me fez sentir mais viva. O reverso menos bom desta medalha é que nem sempre queremos reviver. Os pensamentos deviam fechar-se a si mesmos numa caixinha, afastarem-se de nós quando temos de avançar noutra direcção. Enquanto nos assaltam, continuam a desenrolar possibilidades. Mas somos tantos... como é possível que as minhas possibilidades se cruzem com as de outras pessoas? Como posso garantir que a coincidência estará do meu lado?

Sinto saudades de tanta coisa.. de tanta gente...

...da maciez do cabelo, do abraço apertado, do brilho do olhar, do coração apertado, do toque na face... por vezes estas recordações transportam-me para outra realidade... nem sei se foi apenas minha, se por coincidência se cruzou com outra... mas terei de escolher apagar alguém, para que tudo isto faça sentido.

Por vezes as coisas que recordamos do passado afastam-nos das pessoas do presente. Mesmo se, por coincidência, no passado nos aproximaram.

2 comentários:

SIRA disse...

Sentir!
A chave da questão...
Sentir como sinónimo de estar vivo e de ter o absoluto poder de amar.
Também as amizades são feitas de estradas...
E, nunca como agora, perco-me do presente e nascem saudades de ti, do que fomos, do que vivemos.
Que saudades!
Desse teu universo em caos, mas puro e pleno de tão vivo, de tão verdadeiro, de tão único.
Que as estradas tenham possibilidades de voltar atrás para te encontrar de novo e descobrir que nas tais caixinhas os sentimentos permanecem intactos e são como os néctares dos deuses: quanto mais velhos mais saborosos

Flicts disse...

É verdade... também tenho muitas saudades!!Muitas vezes penso em voltar para trás na estrada, para te reencontrar. Sei que não nos perdemos, porque penso sempre em ti. De forma muito especial e simbólica, foste mesmo a primeira pessoa a ler o meu blog (foi secreto até hoje!!) Sei que a tua vida mudou e enriqueceu muito nos últimos tempos. O tempo não volta para trás nem assim deve ser, para que possamos tirar as nossas lições do que já passou. Tenho a certeza de que continuaremos a existir uma para a outra de forma muito especial. Espero que nos encontremos brevemente para pôr a conversa em dia :D Beijo grande e obrigada pelo comentário, doce como sempre.